
Uma delegação do Quênia realiza uma visita de estudo ao Semiárido brasileiro em Pernambuco, entre os dias 5 e 9 de outubro, para conhecer tecnologias sociais de captação, armazenamento e uso sustentável da água. A missão tem como objetivo identificar soluções que possam ser adaptadas ao contexto queniano, especialmente para ampliar o acesso à água em escolas.
A programação, realizada no âmbito do projeto “Intercâmbio de Experiências – Programa Cisternas e Tecnologias Sociais de Acesso à Água”, começou em Recife, com apresentações sobre o Programa Cisternas, a atuação da rede ASA (Articulação do Semiárido Brasileiro) e os objetivos da cooperação entre Brasil e Quênia. Os participantes também compartilharam experiências de seus territórios e discutiram os principais desafios relacionados à segurança hídrica.
Ao longo da missão, a delegação do Quênia, composta por 8 representantes do governo, uma pessoa da embaixada e uma do escritório do WFP do Quênia, percorrerá diferentes municípios de Pernambuco, incluindo Pesqueira, Buíque, Carnaíba, Afogados da Ingazeira, Tabira e Tuparetama. As atividades permitem conhecer experiências de convivência com o Semiárido e tecnologias voltadas à captação e reserva de água para consumo humano e produção de alimentos.
Entre as iniciativas a ser visitadas estão sistemas de cisternas de primeira e segunda água, cisternas-calçadão, barragens subterrâneas, quintais produtivos, sistemas de tratamento de esgoto com produção de biogás e geração de energia solar. Os visitantes também conhecerão experiências de conservação de sementes, produção agroecológica e recuperação ambiental desenvolvidas por famílias agricultoras.
Território indígena
Um dos principais momentos da missão será a visita ao território indígena Xukuru, em Pesqueira, com sua cisterna de água para consumo humano, a Casa de Sementes Mãe Zenilda Xukuru, o laboratório de plantas medicinais, uma agrofloresta e práticas de recuperação de áreas degradadas. Depois, seguiriam para a propriedade de pequenos agricultores que cultivam horta, árvores frutíferas e plantas ornamentais em Buíque.
A missão será encerrada com oficinas e sessões de trabalho voltadas ao programa Maji Plus, uma iniciativa liderada pelo governo do Quênia para enfrentar os desafios de acesso à água e energia em escolas localizadas nas regiões áridas e semiáridas do país. O programa foi inspirado no Programa Cisternas do Brasil.
As discussões serão voltadas ao aperfeiçoamento do programa, que prevê na primeira etapa a instalação de cisternas em dezenas de escolas quenianas. Além de identificar oportunidades e desafios, os parceiros definirão os próximos passos para fortalecer a cooperação técnica entre os dois países.
Esforço conjunto
A visita está sendo acompanhada por Vinicius Limongi, chefe de Programas do Centro de Excelência contra a Fome do WFP no Brasil, e por Joelcio Carvalho, coordenador do Projeto Alimentação Escolar Regenerativa (uma parceria do Centro de Excelência com a Fundação Rockefeller), e é realizada graças à parceria de várias instituições, do lado brasileiro, queniano e bilaterais.
Pelo lado brasileiro, o evento é uma parceria que envolveu o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a ASA, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), e Embaixada do Brasil no Quênia.
Pelo Quênia, apoiam a visita a Autoridade Nacional de Gestão de Secas (NDMA), o Ministério da Comunidade da África Oriental, das Terras Áridas e Semiáridas (ASALs) e do Desenvolvimento Regional, o Ministério do Trabalho e da Proteção Social, o Ministério da Fazenda do Quênia, e o Conselho Nacional para a Educação Nômade (NACONEK).
No esforço multilateral, a visita conta com o apoio da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, o Centro de Excelência contra a Fome do WFP no Brasil, o WFP Quênia e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).




