
O Projeto Além do Algodão promoveu no dia 29 de julho um webinário para discutir estratégias de adaptação e inovação frente às mudanças climáticas em contextos agrícolas. O evento reuniu representantes de governos e especialistas de Moçambique, do Brasil e de outros países interessados no tema.
O Projeto Além do Algodão é uma iniciativa de cooperação Sul-Sul trilateral do Brasil com três países africanos que são grandes produtores de algodão: Benim, Moçambique e Tanzânia. O projeto teve início em 2017, coordenado pelo Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (WFP), em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), e com apoio das universidades federais de Lavras, Campina Grande, e do Oeste da Bahia, além da participação dos escritórios do Programa Mundial de Alimentos nos três países.
Abertura
A abertura do evento contou com a participação da analista de projetos da ABC, Paola Barbieri, do diretor do Centro de Excelência contra a Fome do WFP no Brasil, Daniel Balaban, e do diretor técnico do IBA, Adilson Ferreira dos Santos.
Paola Barbieri destacou a importância do trabalho em cooperação, que neste projeto contou com o envolvimento de instituições vinculadas ao Ministério da Agricultura dos três países. “O objetivo foi de apoiar o fortalecimento da segurança alimentar e nutricional dos agricultores e promover a melhoria da produção do algodão e de culturas consorciadas”, afirmou.
Em sua fala, Balaban ressaltou o envolvimento das universidades no compartilhamento das tecnologias sociais brasileiras como soluções aos desafios climático. “Ao promover este intercâmbio de conhecimentos, fortalecemos a capacidade das comunidades rurais de se adaptarem às mudanças climáticas e ampliarem suas oportunidades de geração de renda e segurança alimentar”, afirmou Balaban.
Adilson Ferreira dos Santos afirmou que onde há cultura de algodão, existe grande potencial de desenvolvimento local. “Este projeto também mostrou como o trabalho com parcerias e cooperação contribiu para o diálogo e as trocas, que servem de alavanca à participação dos produtores de algodão no comércio internacional.”
Painel
A programação técnica teve início com a apresentação do professor Nascimento Nhantubo, do Instituto Superior Politécnico de Manica (ISPM), de Moçambique, que abordou os impactos das mudanças climáticas sobre a agricultura familiar, com foco nos recursos hídricos e as soluções possíveis para as regiões áridas.
“O Projeto propiciou a troca de experiências e a capacitação de agricultores para terem acesso à informação climática. Cisternas e barragens subterrâneas permitem reservar a água a partir da precipitação. Com práticas de uso e conservação da água, é possível criar sistemas de irrigação para os quintais produtivos”, afirmou o professor Nascimento.
Ele destacou que o Projeto Além do Algodâo permitiu aos agricultores melhorar o cultivo e a produção do algodão e ao mesmo tempo abrir espaço para cultura de alimentos de forma consorciada, como milho, soja, gergelim, feijão e amendoim, alcançando metas de segurança alimentar e de geração de renda dos agricultores familiares.
Em seguida, a coordenadora geral de acesso à àgua do Ministério do Desenvolvimento Social, Família e Combate à Fome do Brasil, Yara Farias, apresentou as tecnologias sociais de captação da água das chuvas, com destaque para as cisternas, iniciativa da sociedade civil iniciada há 20 anos, em resposta à escassez de água.
“Trata-se de uma tecnologia social de fácil construção, rápida e de baixo custo que atende famílias que estão dispersas no território, o que dificulta a chegada da rede tradicional de saneamento.”
O webinário integrou a programação de intercâmbios técnicos do Projeto Além do Algodão. O segundo webinário da série 2026 será realizado no dia 26 de agosto, e discutirá o financiamento para promoção de sistemas alimentares sustentáveis.




