Neste Dia Mundial do Algodão, celebrado no dia 7 de outubro, conheça mais sobre o projeto Além do Algodão, cujo objetivo é apoiar pequenos produtores de algodão e instituições públicas de três países africanos (Benim, Tanzânia e Moçambique) a vincular subprodutos de algodão (óleo de semente, torta etc.) e culturas consorciadas, como milho, sorgo e feijão, a mercados institucionais, incluindo programas de alimentação escolar, aumentando a renda local e a segurança alimentar e nutricional dos agricultores familiares.
O projeto Além do Algodão é uma iniciativa conjunta do Centro de Excelência contra a Fome do WFP no Brasil e da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), com apoio do Instituto Brasileiro do Algodão. O projeto já foi concluído na Tanzânia e em Moçambique, e será finalizado em novembro de 2026 no Benim. Em cada país, o projeto contou também com apoio técnico de universidades brasileiras e dos países.
No Benim, especialistas da Universidade Federal do Oeste da Bahia participaram; na Tanzânia, da Universidade Federal de Campina Grande; e em Moçambique, da Universidade Federal de Lavras. O projeto contou também com o apoio dos escritórios do WFP em cada país e dos governos e parceiros locais.
Para a Oficial de Parcerias, Albaneide Peixinho, que também coordenou o projeto, “essa iniciativa é uma grande oportunidade de intercâmbio entre o Brasil e os países africanos para promover mais saúde e segurança financeira e alimentar impactando centenas de agricultores”.
Moçambique
Moçambique caracteriza-se por ser um país rico em recursos naturais e terras com solo de boa qualidade para plantio. No entanto, a localização geográfica vê-se afetada por diversos eventos climáticos que prejudicam a produção agrícola, a nutrição e as vidas de moçambicanos.
Nesse cenário, o projeto lançou mão de ações e medidas de mitigação aos impactos climáticos naquela região, contribuindo para o aumento da resiliência de agricultores envolvidos. Como forma de contribuir para a segurança alimentar e a diversificação das atividades entre os produtores dos distritos, foram desenvolvidas práticas na pecuária e na horticultura como alternativas para fortalecer a renda e a alimentação das famílias.
Até junho de 2024, foram implementadas 150 a 250m² de área de produção de horticultura em áreas alagadas por rios, 150 a 450 m² de hortas implementadas com culturas de quiabo, alface, couve, cebola e tomate em área de vazante e 16 campos, sendo 15 individuais e 1 para produção de hortícolas da associação. A produção hortícula desse período atingiu 179kg de alface, 79kg de cebola, 204kg de couve, 174 kg de tomate e 403kg de quiabo.
No país, o projeto já realizou mais de 250 atividades de capacitação ações para melhorar os sistemas produtivos dos pequenos agricultores, fortalecendo a capacidade de mais de 247 agricultores, com foco na produção consorciada do algodão e na promoção de sistemas alimentares mais resilientes e saudáveis. O projeto também impactou 45 técnicos agrícolas, 225 produtores líderes e 1125 pequenos produtores.
Tanzânia
O Projeto Além do Algodão na Tanzânia é um componente do projeto regional “Alternativas de escoamento de subprodutos de algodão e culturas acessórias de algodão na África”, que teve como objetivo promover a comercialização de subprodutos de algodão e produtos da rotação com culturas associadas para melhorar a segurança alimentar além de identificar as condições socioeconômicas e nutricionais dos produtores de algodão e dos consumidores na região de atuação do projeto.
O Projeto Além do Algodão beneficiou diretamente e indiretamente 11 mil agricultores e agricultoras produtores de algodão da região de Mwanza, distribuídas nos distritos de Magu, Misungwi e Kwimba. As ações desenvolvidas, nos seus 18 meses de execução, resultaram no fortalecimento de três componentes: agricultura, nutrição e renda. Foram realizadas 21 atividades de compartilhamento de conhecimento técnico com construção de 12 cisternas de placas.
O projeto permitiu redução do custo de sementes e maior autonomia no sistema produtivo. Em um levantamento de avaliação junto aos agricultores participantes, 25% deles apontaram melhoria da qualidade do solo, 30% apontaram controle de pragas e doenças e 31% elencaram aumento da produtividade. Além disso, 77% dos entrevistados relataram aumento significativo em suas rendas após o projeto.
Benim
O Benim é um país localizado na África Ocidental que tem uma população entre 13 e 14 milhões de pessoas e sua economia é baseada, principalmente, na agricultura de subsistência e na exportação de algodão, representando 13% do PIB do país.
A comercialização de sementes de algodão rende mais de 70 bilhões de CFA (moeda local) anualmente para 300 mil agricultores, gerando renda indireta para cerca de três milhões de pessoas. O algodão é cultivado em modo de sequeiro por quase um terço dos agricultores do Benim e ocupa cerca de 20% da área cultivada. As principais áreas de produção ficam no norte e no centro do país.
O projeto no Benim realizou treinamento de mais 1.794 agricultores e agricultoras nos temas de colheita, pós-colheita, gerenciamento de estoque de milho, feijão-caupi, arroz em casca e arroz moído. Além de fortalecer a capacidade dos agricultores locais na produção do algodão agroflorestal e agricultura sustentável.




