
A alimentação escolar pode ser uma ferramenta estratégica para prevenir doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, obesidade e problemas cardiovasculares, ao longo da vida. Essa é uma das principais conclusões do documento técnico, publicado em outubro de 2026 pelo Consórcio de Pesquisa em Saúde e Nutrição Escolar, uma rede internacional de pesquisadores e especialistas vinculada à Coalizão para a Alimentação Escolar.
O documento reuniu evidências de mais de 700 fontes de dados e contou com a contribuição de 115 especialistas de 71 organizações e 46 países.
A Coalizão para a Alimentação Escolar é uma aliança global criada para apoiar países na ampliação e qualificação dos programas de alimentação escolar. No âmbito da Coalizão, o consórcio de pesquisa reúne universidades, organismos internacionais e instituições parceiras para produzir conhecimento científico que fortaleça políticas públicas de alimentação escolar.
Resultados nutricionais
O Centro de Excelência contra a Fome do WFP no Brasil teve papel de destaque na elaboração do Capítulo 5 do documento, dedicado às condições que permitem que programas de alimentação escolar alcancem seus melhores resultados nutricionais e de saúde. O trabalho contou com a participação de Daniel Balaban, Livia Martins, Ana Clara Cathalat e Vinicius Limongi, entre os autores do estudo.
O capítulo analisou como diferentes modelos de alimentação escolar influenciam os resultados para crianças e adolescentes. A pesquisa concluiu que os benefícios dependem não apenas da oferta das refeições, mas também da qualidade nutricional dos alimentos, das regras de compra públicas, da governança do programa e do ambiente alimentar ao redor das escolas.
O texto destaca especialmente o potencial dos programas de compras da agricultura familiar e da alimentação escolar de base local, conhecidos como Home-Grown School Feeding, para conectar nutrição, agricultura e desenvolvimento local.
Segundo os autores, programas de alimentação escolar que estabelecem padrões nutricionais a serem seguidos, que oferecem alimentos frescos e minimamente processados ao passo em que regulamenta da venda de produtos ultraprocessados no ambiente escolar, apresentam maior potencial para promover hábitos alimentares saudáveis e reduzir fatores de risco associados às doenças crônicas.
Hábitos alimentares
De forma geral, o documento técnico concluiu que refeições escolares bem planejadas melhoram a qualidade da alimentação, contribuem para o desenvolvimento infantil e podem influenciar hábitos alimentares que se estendem para além dos muros da escola.
Embora ainda existam lacunas sobre os impactos diretos na prevenção de doenças crônicas na vida adulta, as evidências apontam que investir na qualidade da alimentação escolar é uma estratégia promissora para promover saúde e reduzir desigualdades.
O estudo também reforçou que a alimentação escolar deve ser vista não apenas como uma política educacional, mas como um instrumento integrado de saúde, proteção social, agricultura e segurança alimentar.
Uma versão preliminar do documento pode ser acessada aqui. A versão final será publicada em 2027.




