
O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados tem impactos que vão além da saúde individual: ele também afeta a sustentabilidade dos sistemas alimentares e dos sistemas de saúde. Evidências científicas apontam que dietas ricas nesses produtos estão associadas ao maior risco de câncer colorretal, um dos tipos mais comuns no Brasil, além do crescimento de outras doenças crônicas, que impactam diretamente nos custos de políticas sociais, em especial aquelas de saúde e de desenvolvimento social.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), carnes processadas como salsicha, bacon e presunto são classificadas como substâncias cancerígenas. A recomendação é que o consumo diário não ultrapasse 50 gramas — o equivalente a uma salsicha ou cerca de quatro fatias de presunto. Quantidades acima desse limite estão associadas a um aumento de 18% no risco de câncer de intestino e reto.
Segundo a nutricionista Eliene Sousa, do Centro de Excelência contra a Fome, pesquisas demonstram que os ultraprocessados são um dos fatores que contribuem para o avanço das doenças crônicas não transmissíveis e para a deterioração da qualidade da alimentação. “Estudos mostram que padrões alimentares baseados em ultraprocessados estão associados ao aumento de doenças como obesidade, diabetes, problemas cardiovasculares e alguns tipos de câncer, incluindo o colorretal”, explica.
Além dos impactos diretos na saúde, Eliene destaca que esses produtos também enfraquecem sistemas alimentares mais justos e sustentáveis. “Os ultraprocessados promovem a concentração da produção de poucos tipos de alimentos, dependem de cadeias longas de produção e consumo, e utilizam grandes quantidades de aditivos, em detrimento do consumo saudável de alimentos frescos, da agricultura familiar e da agroecologia”, afirma.
Para reduzir os riscos de doenças e fortalecer os sistemas alimentares sustentáveis e os sistemas de saúde, a orientação é priorizar alimentos in natura e/ou minimamente processados. “Uma alimentação saudável e nutritiva deve ser baseada em alimentos variados: verduras, legumes, frutas, grãos, leguminosas como feijão, além de fontes de proteína como peixes, aves, ovos e carnes frescas”, orienta a nutricionista.
Ela reforça que dietas ancoradas na produção local, na agroecologia e na diversidade alimentar contribuem não apenas para a prevenção do câncer e de outras doenças, mas também para a segurança alimentar, a proteção ambiental e o enfrentamento da fome. “Quando promovemos o consumo de alimentos frescos e locais, estamos cuidando da saúde das pessoas e dos sistemas alimentares como um todo”, conclui.




