
Representantes do governo da Guiné-Bissau participaram, nos dias 20 e 21 de julho, de uma visita de estudo virtual para discutir políticas de alimentação escolar e a integração da agricultura familiar no abastecimento das escolas, com foco no fortalecimento do Programa Nacional de Cantinas Escolares do país africano.
A iniciativa foi organizada pelo Centro de Excelência contra a Fome do WFP no Brasil, em parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), com apoio do escritório de país do WFP em Guiné-Bissau.
A atividade deu continuidade à parceria de longa data entre Brasil e Guiné-Bissau na área de alimentação escolar. O Centro de Excelência já havia recebido delegações guineenses em missões de estudo presenciais realizadas em 2012 e 2015. Desta vez, o intercâmbio ocorreu em formato virtual, permitindo que gestores e técnicos dos dois países compartilhassem experiências e discutissem caminhos para ampliar a sustentabilidade da alimentação escolar em Guiné-Bissau.
A visita teve como objetivo apresentar elementos centrais do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) brasileiro que possam contribuir para o aprimoramento do programa guineense, especialmente em temas como governança, financiamento, monitoramento, participação comunitária e compras da agricultura familiar.
Autoridades
No primeiro dia, em 20 de julho, autoridades do Brasil e de Guiné-Bissau participaram da sessão de abertura.
O encontro contou com representantes da ABC, do FNDE, da Embaixada do Brasil em Guiné-Bissau, do WFP e do governo guineense. Na ocasião, foram apresentados os programas nacionais de alimentação escolar dos dois países, permitindo uma troca de experiências sobre os avanços, desafios e oportunidades para fortalecer a Segurança Alimentar e Nutricional e a educação por meio da alimentação escolar.
Para Renata Mainenti, Coordenadora Geral do Programa Nacional da Alimentação Escolar- Substituta do FNDE, o impacto da alimentação escolar ultrapassa os muros da própria escola. “Nós sabemos que o Brasil e Guiné Bissau compartilham muito mais do que a língua portuguesa, compartilhamos laços históricos e culturais, além da convicção de que investir nas crianças é investir no futuro de nossas sociedades”, disse.
“Como embaixador do Brasil, um aspecto que destaco é que a partir de boas práticas nesta área é para nós um mandamento legal, expressamente na lei que institucionalizou o Programa Nacional de Alimentação Escolar e atravessa décadas e governos”, afirmou Pablo Duarte Cardoso, embaixador do Brasil na Guiné Bissau
Já para Jaqueline Flende, diretora do WFP na Guiné Bissau, esse encontro simboliza muito mais que a reunião dos dois países. “A experiência do Brasil em áreas como alimentação escolar, agricultura familiar, nutrição e desenvolvimento local continua a inspirar países em todo o mundo. Para nós, esse intercâmbio vai muito além desta reunião”.
O Diretor do Centro de Excelência contra a Fome do WFP, Daniel Balaban, celebrou o momento de diálogo com Guiné Bissau. “Para o nosso Centro de Excelência, a Guiné Bissau sempre foi um parceiro histórico e muito especial. Ao longo dos últimos anos, nós construímos uma relação de confiança, cooperação e também de aprendizado mútuo, baseado na convicção de que a alimentação escolar é um investimento estratégico”, disse.
A Diretora Nacional da Alimentação Escolar em Guiné Bissau, Eudacia Embalo, trouxe dados sobre a alimentação escolar em seu país. O Programa Nacional de Cantinas Escolares está presente em Guiné Bissau desde 1994, fruto de uma estreita colaboração entre o Governo da Guiné Bissau e o Programa Mundial de Alimentos (WFP) e alimenta hoje cerca de 197 mil crianças. “Valorizamos profundamente essa oportunidade de conhecer a experiencia brasileira do programa nacional de alimentação escolar, uma referência internacional pela sua forte base legal e pelo seu modelo de financiamento, além da integração bem-sucedida com a agricultura familiar”, afirmou a diretora.
Já no segundo dia, em 21 de julho, as discussões aprofundaram aspectos específicos da experiência brasileira. Técnicos do FNDE apresentaram avanços recentes do PNAE relacionados à alimentação escolar de povos indígenas e comunidades tradicionais a inserção do pescado nos cardápios escolares, além de outras atualizações da política pública.
A programação incluiu ainda uma rodada de perguntas e respostas baseada nos seis vídeos da visita virtual, vídeos que perpassam por todas as diretrizes do programa nacional da alimentação escolar brasileira, seguida de um debate sobre os próximos passos para o fortalecimento do Programa Nacional de Cantinas Escolares do país.
A Guiné-Bissau busca ampliar a sustentabilidade de seu programa de alimentação escolar e fortalecer os vínculos com a produção local de alimentos. Atualmente, o Programa Nacional de Cantinas Escolares atende metade das escolas primárias do país e vem avançando na integração de cooperativas de pequenos produtores ao fornecimento de alimentos para as escolas.




