
Uma delegação de alto nível da Etiópia realizou, entre os dias 4 e 11 de agosto, uma visita de estudos voltada ao fortalecimento do programa nacional de alimentação escolar do país africano.
A missão reuniu representantes do Ministério da Educação, governos regionais e do Programa Mundial de Alimentos (WFP) para conhecer de perto a experiência brasileira em alimentação escolar, com foco nos mecanismos de financiamento, governança e na sua integração com a agricultura familiar.
A iniciativa foi organizada pelo Centro de Excelência contra a Fome do WFP no Brasil, escritório do WFP em Etiópia, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Agência Brasileira de Cooperação (ABC), e contou com a parceria do Ministério da Educação, da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal, e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural no Distrito Federal (Emater-DF).
Durante a visita, a delegação aprofundou o conhecimento sobre o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), considerado como uma referência internacional por sua sustentabilidade e universalidade, garantidas em legislação. Além disso, o PNAE promove a participação e o controle social, o desenvolvimento local por meio da compra de alimentos da agricultura familiar, e ações de educação alimentar e nutricional.
Para a coordenadora nacional do PNAE, Karine Santos, compartilhar experiências é fundamental para identificar desafios comuns, disseminar soluções inovadoras e valorizar as boas práticas desenvolvidas em diferentes territórios. “Esse intercâmbio fortalece a gestão do programa e amplia seu impacto na promoção da segurança alimentar e nutricional dos estudantes”, afirmou.
O interesse etíope refletiu um esforço de ampliar seu programa de Home-Grown School Feeding, modelo que conecta a alimentação escolar ao desenvolvimento local e à produção de pequenos agricultores. A missão também buscou identificar soluções para superar desafios relacionados à institucionalização, ao financiamento e à expansão do programa em escala nacional.
Escolas
As atividades incluíram visitas à Escola Classe Ipê, à Escola Parque 303/304 Norte, onde os participantes puderam observar o funcionamento das cozinhas escolares, os sistemas de armazenamento de alimentos, a preparação e a oferta das refeiçõesaos alunos.
A delegação também conversou com nutricionistas, gestores, professores, merendeiras, conselheiros de alimentação escolar, agricultores e estudantes para compreender como as diretrizes nutricionais são aplicadas na prática e como a comunidade escolar participa da implementação do programa, além de visitar hortas escolares e projetos, como galinheiros e jardins com reaproveitamento da água das chuvas nas escolas infantis.
Outro destaque da agenda foi a visita ao Instituto Federal de Brasília (IFB), Campus Planaltina, onde os representantes etíopes conheceram iniciativas ligadas à agroecologia, agricultura sustentável, inovação e formação técnica.
A delegação visitou o restaurante estudantil, acompanhou apresentações sobre alimentação escolar e conheceu laboratórios e áreas produtivas da instituição, que atua como referência na integração entre educação, agricultura e desenvolvimento territorial.
Agricultura
A agenda incluiu visita a uma cooperativa, onde a delegação viu de perto a produção agrícola destinada ao mercado institucional e à alimentação escolar. No local, conversaram com agricultores familiares e representantes da Emater-DF para compreender os mecanismos de organização produtiva, comercialização, formação de preços e fornecimento de alimentos para as escolas.
Para a Ministra da Educação da Etiópia, Ayelech Eshete, a visita mostrou o potencial do modelo brasileiro, que inspira novos investimentos para expandir a alimentação escolar no seu país.
“Aprendemos muitas lições no Brasil. Nós começamos nosso programa mais recentemente, e ainda precisamos reforçar o nosso sistema. Nosso maior desafio é o financiamento do programa. Mas, recentemente, o parlamento da Etiópia aprovou uma lei sobre nutrição com previsão orçamentária, o que vai nos ajudar a avançar”, afirmou.
Atualmente a Etiópia fornece alimentação escolar a 8,4 milhões de crianças e a meta é fortalecer as políticas públicas e universalizar o programa até 2030.
Para o Oficial sênior de Programas do WFP no Etiópia, Robert Ackatia-Armah, o país demonstra grande interesse em expandir o seu programa nacional de alimentação escolar.
“O WFP tem apoiado a alimentação escolar no país nos últimos 15 anos. Se antes o WFP fornecia toda a alimentação às crianças, agora o sistema evoluiu. Em algumas regiões, o WFP apoia com recursos para que as secretarias de educação excutem o programa e, em paralelo, apoiamos o Ministério da Educação com guias e assistência técnica para que, em nível federal, o programa seja levado as áreas do país onde ainda não existe.”
Evolução
A visita fez parte de uma longa trajetória de cooperação entre Brasil e Etiópia na área de alimentação escolar. Desde 2013, o país africano vem buscando referências brasileiras para fortalecer suas políticas de nutrição e alimentação escolar.
Para o diretor do Centro de Excelência, Daniel Balaban, o acompanhamento ao longo dos anos mostra o processo de contínua evolução da política de alimentação escolar da Etiópia.
“Os avanços alcançados demonstram o valor da cooperação baseada na confiança e na troca de experiências. O Centro de Excelência tem orgulho de caminhar ao lado do país nesse processo”, disse.
Desta vez, o foco da visita esteve na implementação em larga escala do programa etíope, especialmente na vinculação entre alimentação escolar e agricultura familiar, considerada uma das principais lições aprendidas durante a missão.




