
Delegações de cinco países africanos (Quênia, Lesoto, Ruanda, Tanzânia e Uganda) participaram, entre os dias 8 e 12 de junho, de uma missão de estudos em Pernambuco para conhecer de perto a experiência brasileira em alimentação escolar, com foco no uso de produtos da agricultura familiar e da agroecologia no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
A agenda ocorreu nas cidades de Recife e Caruaru e foi organizada pelo Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (WFP), com apoio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco.
Durante a visita, as delegações conheceram equipamentos estratégicos da política pública de alimentação escolar. Em Caruaru, estiveram em um centro municipal de distribuição de alimentos, onde observaram a logística de recebimento e repasse de produtos oriundos da agricultura familiar.
Também visitaram uma escola de ensino médio para conhecer a horta e acompanhar o funcionamento da alimentação escolar. As delegações viram desde a elaboração de um cardápio adaptado à realidade regional até o preparo, a distribuição das refeições e o armazenamento adequado dos alimentos na cozinha escolar.
“Aprendemos que precisamos ser intencionais e ter estrutura. O governo daqui apoia muito o programa de alimentação escolar, é uma prioridade”, disse Francis Atima, Diretora da Diretoria de Padrões Educacionais de Uganda, sobre lições aprendidas com o Brasil.
A programação incluiu ainda visitas a iniciativas ligadas à agroecologia e à produção local, destacando o papel dos pequenos agricultores no abastecimento das escolas e na promoção de sistemas alimentares mais sustentáveis e resilientes ao clima.
Para Vera Kwara, Chefe de Nutrição, HIV e Programas de Alimentação Escolar do WFP na Tanzânia, a visita ao espaço SERTA, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), trouxe muitos aprendizados.
“A visita abriu meus olhos sobre como diferentes técnicas de agroecologia podem se integrar e formar um sistema tão bonito. Gostei de ver como é possível adaptar as técnicas em diferentes contextos, não importando quais recursos você tem, é possível fazer funcionar”, disse.
Além das atividades de campo, foram realizadas reuniões técnicas nas quais representantes africanos apresentaram suas próprias experiências e desafios na área de alimentação escolar.
Os encontros promoveram um diálogo de Cooperação Sul-Sul, permitindo a troca de conhecimentos sobre soluções adaptadas a diferentes contextos e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e nutricional.
Reconhecido internacionalmente, o modelo brasileiro de alimentação escolar integra nutrição, educação e compras públicas da agricultura familiar, atendendo milhões de estudantes e servindo como referência para outros países em busca de sistemas alimentares mais sustentáveis.




